Comunicado Importante - 3 contos do blog serão publicados

É com muito orgulho que venho anunciar, que eu Debby Lennon e Sandra Franzoso iremos participar da antologia Jogos Criminais. A Antologia será lançada no dia 15/01/2011, Na Biblioteca Viriato Correa, situada a Rua Sena Madureira, 298 - Vila Mariana. Meus contos Anjo Perdido e Joana e Maria, já foram postados aqui no blog e agora está aperfeitoado e com mudanças no final,o mesmo acontece com o conto O Noivado da Sandra. Maiores informações em breve.

sábado, 12 de setembro de 2009

Demasiada Loucura é o Mais Divino Juízo

Pessoal,


Depois de um tempo afastado, devido ao concurso de contos, retomo as postagens de sábado, abordando, desta vez, uma outra maneira de se falar sobre o que se passa dentro de nossa cacholinha. É o lado oculto da mente falando através de poemas, afinal, nada mais oculto na mente humana do que os versos que formam esta manifestação literária belíssima e tão pouco difundida, infelizmente.


Abaixo seguem três poemas que tem como temática a mente humana, e, não por acaso, poemas de três mestres.


Até o próximo sábado.


N.E.I.'.


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Demasiada Loucura é o Mais Divino Juízo


Demasiada Loucura é o mais divino Juízo -
Para um Olhar criterioso -
Demasiado Juízo - a mais severa Loucura -
É a Maioria que
Nisto, como em Tudo, prevalece -
Consente - e és são -
Objecta - és perigoso de imediato -
E acorrentado -


Emily Dickinson, em "Poemas e Cartas"


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A meu irmão

Eu tenho lido em mim, sei-me de cor,
Eu sei o nome ao meu estranho mal:
Eu sei que fui a renda dum vitral,
Que fui cipreste, caravela, dor!

Fui tudo que no mundo há de maior:
Fui cisne, e lírio, e águia, e catedral!
E fui, talvez, um verso de Nerval,
Ou, um cínico riso de Chamfort...

Fui a heráldica flor de agrestes cardos,
Deram as minhas mãos aroma aos nardos...
Deu cor ao eloendro a minha boca...

Ah! de Boabdil fui lágrima na Espanha!
E foi de lá que eu trouxe esta ânsia estranha,
Mágoa não sei de quê! Saudade louca!


Florbela Espanca, em "Livro de Sóror Saudade"


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Génio do Mal


Gostavas de tragar o universo inteiro,
Mulher impura e cruel! Teu peito carniceiro,
Para se exercitar no jogo singular,
Por dia um coração precisa devorar.
Os teus olhos, a arder, lembram as gambiarras
Das barracas de feira, e prendem como garras;
Usam com insolência os filtros infernais,
Levando a perdição às almas dos mortais.

Ó monstro surdo e cego, em maldades fecundo!
Engenho salutar, que exaure o sangue do mundo
Tu não sentes pudor? o pejo não te invade?
Nenhum espelho há que te mostre a verdade?
A grandeza do mal, com que tu folgas tanto.
Nunca, jamais, te fez recuar com espanto
Quando a Natura-mãe, com um fim ignorado,
— Ó mulher infernal, rainha do Pecado! —
Vai recorrer a ti para um génio formar?

Ó grandeza de lama! ó ignomínia sem par.


Charles Baudelaire, em "As Flores do Mal"

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2 comentários:

Lúcia do Carmo disse...

Obrigado por ter visitado meu blog, estou seguindo você ok?

osmar castanha disse...

Adorei os três poemas - já conhecia o de Baudelaire e muito me impressionou o de Emily com esse 'demasiado juizo', que realmente acaba tolhendo os humanos de suas verdadeiras identidades; e quem ousaria atirar a primeira pedra permitindo-se a um olhar tão criterioso!? Um forte abraço...

the Osmar

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