Comunicado Importante - 3 contos do blog serão publicados

É com muito orgulho que venho anunciar, que eu Debby Lennon e Sandra Franzoso iremos participar da antologia Jogos Criminais. A Antologia será lançada no dia 15/01/2011, Na Biblioteca Viriato Correa, situada a Rua Sena Madureira, 298 - Vila Mariana. Meus contos Anjo Perdido e Joana e Maria, já foram postados aqui no blog e agora está aperfeitoado e com mudanças no final,o mesmo acontece com o conto O Noivado da Sandra. Maiores informações em breve.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A maldade inanimada do ser humano...

Esse conto é baseado em outro que eu já tinha escrito antes. Para quem quiser refrescar a memória está aí o link, não têm muitos caracteres:
http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/o-bem-e-o-mal.html

Amanda estava sentada no terraço pensando sobre tudo e todos.

Eu já estava farta dessa vida monótona, sem sentir aquela adrelalina ao atuar na vida de uma pessoa podendo levá-la à morte. Afinal, já provei desse sabor, liquidei meu pai, minha avó e mais alguns outros, fora as pequenas maldades, se é que eu deveria chamar assim, maldades que não mataram mas prejudicaram alguns indivíduos.
Eu juro que tentei parar. Imaginei que seria difícil conviver com meus pecados, só que eles não me atormentam. Ora, eu fui apenas uma ferramenta usada para privar um ou outro de sua vida, se deus ou o diabo quisesse interferir... faria. Então ninguém poderá me julgar. Culpas não devem ser imputadas a mim. O destino me usou, apenas isso.
Estou com fome, pensar nessa minha colaboração ao destino me abre o apetite.
Qualquer dia desses vou comprar um cachorro, um não, três ou cinco...

Algumas semanas depois

Eram 23 horas de uma noite fria e chuvosa de Primavera. Já era para o tempo estar quente, mas São Paulo parecia estar imersa na tempestade. E como a temperatura caiu! Devia estar uns 8 graus. Ninguém notou que Mariana corria desesperada, estava toda arranhada e a respiração ofegante. Resolveu tirar os sapatos de salto para correr melhor, o asfalto estava escorregadio. Pobre moça que saía do trabalho, acabou pisando em falso e caiu. Tarde demais para se levantar, cinco Pitbulls a atacaram até a morte. E tranquilamente assistindo a tudo estava Amanda. Esperou os cachorros terminarem o serviço e os levou para casa.

Mais tarde em sua cama, Amanda refletia

Vê-los atacarem aquela moça me chocou. Não, não senti remorso, nem piedade ao ouví-la gritar por socorro ou berrar de dor quando teve parte da carne arrancada, o que me chocou foi a fúria dos meus cães só porque eu os deixei uns dias sem comida, ainda bem que usavam focinheira o tempo todo aqui. Tão irracionais!

E sua mente voava

Ai mamãe, mamãe, por que resolveu se casar novamente? Até aí tudo bem, mas engravidar nessa idade já era ridículo. João é um padrasto que nem parece que tem sangue nas veias, muito quieto, me admiro que ele tenha engravidado uma mulher. Na verdade parece que já morreu, só esqueceram de enterrar. Então ele fica ali na sala fazendo parte da mobília. Não sei como nunca tropecei nele.
Mamãe teve uma gravidez muito tranquila e nove meses depois ganhei meu irmãozinho Renan. Sempre fui indiferente a ele. Era uma criança boazinha, não dava trabalho. Mas, ele não deveria ter me olhado daquele modo petulante. Onde já se viu uma coisinha insignificante de três meses de vida me desafiar? Foi só por isso que resolvi dar um banho nele, enchi a banheira do mesmo modo que vi acontecer naquele filme, como era mesmo o nome? Não me lembro. Ou será que eu li em algum lugar? Num livro? Um conto? Não sei, mas o deixei se afogar. Sentei no vaso sanitário e assisti aquele corpinho indefeso se debater até ficar imóvel. Demorou uns cinco minutos.
Quanta tristeza! Mamãe e João envelheceram 20 anos da noite para o dia depois que Renan se foi, agora parecem mortos-vivos. Procuro animá-los generosamente, mas é em vão. Ela parece que deseja morrer, talvez eu faça sua vontade e promova um reencontro de mamãe com o Renanzinho. Já João sempre me olha atrevessado, parece que me odeia. Terei que dar um jeito nisso, ainda decidirei como, ele merece uma boa lição. Só morrer não basta.


Acho que vou até a padaria, de repente me deu uma vontade de comer uns doces...

Sandra

18 comentários:

Principe Encantado disse...

Sandra amiga, vou começar a ter novamente minhas noites de insonia, ela é mio "ruinzinha" né?
Abraços forte

Sandra F. disse...

Ai Príncipe, muito ruim!!!
Se você soubesse como me doeu escrever a parte sobre o pequeno Renan, mas enfim...
Abraços e obrigada!

Janilton disse...

Sandra,

Lendo esse artigo, me lembrei do primeiro. Acho bom vc dá um fim nessa psicopata, antes que ela mate mais pessoas. Que tal uma prisão ou a morte dela? rsrs...

Sandra F. disse...

Ahahahahahaha gostei do seu comentário, Janilton.
Verdade, ela precisa ser liquidada ahaha.
Obrigada!

Rosana Madjarof disse...

Sandra,

A narração foi perfeita... Mas o conteúdo é um pouco tétrico para minhas veias poéticas... rssss

Beijos no coração.

Rosana Madjarof.

S. Levy Lima disse...

você é uma excelente contadora de histórias.
dou-lhe os parabéns. o texto é muito bom.

porque é que vocês não pegam nos textos e criam uma antologia de contos de terror?

abçs

Sandra F. disse...

Rosana

Ahahahaha sim, amiga. Enquanto você escreve suas lindas poesias, um dos meus psicopatas está aguardando o melhor momento de ataque rs.
Querida, muito obrigada por participar. Beijos!

Sara

Nós estamos com umas ideias inovadoras rs, mas ainda esão em amadurecimento. E se tudo der certo será maravilhoso.
Muito obrigada por participar comentando.
Bjs.

Luísa disse...

Sandra, parabéns!
Adoro 'continuações' e esta é excelente!

Beijos
Luísa

Sandra F. disse...

Obrigada, Luísa.
Eu ainda sinto certa repulsa por essa personagem do conto, não gosto que mexam com crianças, mas ela é insana, o que fazer?
(Juro que sou normal rsrsrsrs, você pode questionar como eu sinto repulsa se fui eu que escrevi, mas é assim)
Beijos.

Ebrael Shaddai disse...

Dá até pra lembrar Allan Poe e suas Histórias Extraordinárias. De repente me veio à mente, lendo seu conto, a parte do Emparedado... A Amanda está cega. Quando voltar aver verdadeiramente, estará junto dos seus senhores, e dos seus verdadeiros "companheiros", com os quais deseja ardentemente confraternizar.
E teve uma parte "(...)Então ninguém poderá me julgar. Culpas não devem ser imputadas a mim." que me vi no seu post, lembrando do meu post sobre culpa q vc comentou.

Bjs Sandra!

Sandra F. disse...

Ahahaha verdade, seu post sobre sentir culpa que eu comentei... Bem, só que a Amanda exagera em não sentir né?
Puxa, Ebrael, me comparar com Edgar Allan Poe, ainda que por um momento, me deixa mais do que honrada, mas quem sou eu?
Muito obrigada!
Beijos.

arte-e-manhas.com disse...

Sandra,
Criar personagens, sejam elas quais forem é o trabalho do escritor. Quanto mais diversificadas e complexas elas forem, melhor; só mostra que quem escreve está a crescer e a tornar-se cada vez melhor no seu 'métier'.

Beijinhos e não tenhas medo de criar personagens e enriquecê-las com personalidades 'estranhas'.

Luísa

Joselito disse...

Cara, mais ou menos assim, matou a mãe foi ao cinema e depois no supermercado, afinal a dispensa tava quase vazia ...

Sandra F. disse...

Luísa


Muito obrigada, amiga querida, por suas palavras. Você está coberta de razão, não hesitarei em criá-los. Espero conseguir causar impacto rs.

Joselito

É bem por aí. Uma psicopata de mão cheia rs.
Obrigada!

Grande abraço.

J S Pereira disse...

Oi Sandra!

Não sou formado. No máximo, atuo como psicólogo de boteco. Até que sou bom nisso, depois de umas três cervejas (e que Freud me perdoe!). Mas desconfio que essa tal de Amanda tem sérios problemas. Mas não vou dar o endereço do meu boteco, não, para ela se consultar. Cachorro, gosto só de quente. E sem mostarda!

Parabéns! A personagem está evoluindo super bem.

Beijos

Sandra F. disse...

Rsrsrs eu não gosto de cachorro nem quente!
Você está certo, melhor manter a distância rs.
Beijos.

Maria Bonfá disse...

menina ! arrepiei.. chocante..mas escrito de uma forma única e perfeita..impossivel parar de ler..parabens..beijo

Sandra F. disse...

Olá, Maria

Puxa, muito obrigada!
Beijos.

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